Cidades: Torino, Introdução.

Hoje chegamos a uma estação muito importante dessa viagem, chegou a hora de conhecermos Torino! Ao chegar na Itália, depois de Chieri (a cidade onde eu moro), Torino foi a segunda cidade que conheci, e a primeira capital e grande centro urbano – logo logo ela iria se tornar o ponto central de praticamente todas as coisas que eu faço por aqui. Com este post pretendo fazer uma introdução à Torino e os seus fatos e pontos interessantes; tem tanta coisa à ser falado sobre a cidade que muito do que será citado aqui vai ganhar depois um post especial aprofundando os diferentes assuntos.

Skyline de Torino com os Alpes.

Torino é a capital da Região Piemonte, fica a noroeste da Itália e é a 4° maior cidade italiana – conta com quase 1 milhão de habitantes de acordo com o ultimo censo. É considerada um importante centro industrial, cultural e histórico, apesar de não estar no roteiro tipico dos turistas. Se encontra numa planície cortada por vários rios, um deles o importante rio Po’, que inclusive corta a cidade de sul a norte. Informações técnicas e detalhes demográficos não são difíceis de encontrar pela internet, o que é interessante contar aqui é um pouco da historia da cidade e dos seus charmes. Só para começar com alguns detalhes interessantes e desconhecidos para o publico geral: Torino foi a primeira capital da Itália unificada, foi sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2006 e é considerada a capital italiana da industria automobilística – a FIAT (Fabrica Italiana Automóveis Torino) começou aqui, já ouviram falar?

Estatua romana em Porta Palatina.

As primeiras noticias da historia de Torino começam em III a.C.: os primeiros assentamentos teriam sido vilas de um povo celto-ligure conhecido como Taurinos que de acordo com a lenda, teriam dificultado a passagem de Haníbal quando pretendia atacar Roma vindo através dos Alpes. Ainda anterior a essa historia, existe uma lenda popular que diz que a cidade teria sido fundada por um egípcio que muitos séculos antes dos romanos teria chegado nos territórios de Torino, trazendo consigo o deus touro – e isso explicaria o fato do touro ser o simbolo da cidade até hoje. Nada disso é comprovado. A origem histórica é oficialmente atribuída a Júlio César (ou um de seus comandantes), que construiu um forte militar para ser um centro de defesa durante as guerras gálicas. Em 28 a.C. foi construída uma colonia com o nome de Juliam Augusta Taurinorum – já com o nome pelo qual seria conhecida até hoje. Depois da queda do Império Romano do Ocidente, a cidade passaria a ser controlada por Ostrogodos, Longobardos e Francos. Ao fim da Idade Média, a cidade ganharia o titulo de libero comune (cidade liberta) e seria englobada nos domínios dos Savoia, dinastia que marcaria a historia da cidade a partir de então; em 1559 se tornou a capital do Ducado de Savoia e em 1713 os duques de Savoia conquistaram o titulo de rei, primeiro da Sicília, depois também da Sardegna e Torino se tornou então capital do reino sabaudo. Em 1861, com a unificação dos reinos itálicos e a criação do Estado Unificado de Itália, Torino se tornou oficialmente a primeira capital italiana, até o ano de 1865, passando o titulo a Firenze e depois a Roma.

Vista de cima.

Via Po’, uma das ruas mais centrais de Torino. Ao fundo, Chiesa della Gran Madre.

Por causa do seu status de capital durante tantos séculos e por tantas situações diferentes, Torino tem uma arquitetura tipica e sempre foi muito planejada. Aqui é difícil encontrar ruelas bagunçadas e becos medievais. As ruas e avenidas são muito largas e toda a cidade é muito retilínea e plana, sem contar os prédios muito parecidos, com cores homogêneas e de altura média-baixa – Torino não é uma cidade de arranha-céus; inclusive, se você olhar a cidade de cima, de um dos tantos pontos turísticos, ela vai parecer um tabuleiro, um xadrez, com todas as suas avenidas e ruas longas e retilíneas se cruzando. 

Al Bicerin, caffè/bar famoso por seu chocolate quente.

Também por causa dessa historia politica, Torino possui muitos, muitos palácios e construções da época das famílias reais e dos Savoia. De áreas arqueológicas romanas infelizmente não temos muitas, poucas restaram. Uma delas é a Porta Palatina.

Porta Palatina – sitio arqueologico romano.

Torino também possui muitos pontos turísticos – para a surpresa de quem não conhece a cidade e pensa que não irá encontrar nada de interessante – os já citados palácios reais, praças, ruas tipicas, as pontes que atravessam o Po’, as estátuas, igrejas, teatros, museus, feiras, bibliotecas, parques e áreas verdes: eu moro aqui já tem 4 anos e ainda não vi tudo que a cidade tem a oferecer! Entre os mais icônicos e especiais, alguns merecem ser mencionados:

Mole Antoneliana.

Em primeiro lugar, sem duvidas o prédio mais icônico de Torino, é a Mole Antoneliana, simbolo da cidade e a primeira coisa que se vê de longe nos skylines e cartões postais da cidade (com a modesta altura de 167m). Prédio do seculo XIX (1863-73), abriga o Museo nazionale del Cinema e até agora é considerado o prédio mais alto da cidade. Dentro da Mole também encontra-se um elevador que leva até o ponto mais alto , um lugar ideal para aproveitar a vista panorâmica da cidade. Sempre no centro da cidade, temos a Piazza Castello, que abriga o Palazzo Reale – primeira e mais importante residencia dos Savoia ao longo de 3 séculos – e o Palazzo Madama – que possui uma historia que começou com os romanos -, ambos são considerados patrimônios mundiais da humanidade protegidos pela Unesco. De igrejas temos construções como a Chiesa della Gran Madre di Dio e a pequena e mais conhecida Cattedrale Metropolitana di San Giovanni Battista ou Duomo de Torino, sede do Santo Sudario. Um outro museu importante da cidade é o Museo Egizio, considerado o maior em importancia e quantidade de peças depois do museu do Cairo. Os parques em Torino sao muitos, mas com certeza o mais especial é o Parco del Valentino, uma area verde no centro da cidade, sede de muitos eventos culturais, e sede tambem do Borgo e Rocca medievali, que nao se enganem, nao sao realmente medievais! Foram construidos em 1884 como um salao de esposiçoes para um evento que aconteceu na cidade em 1884, reproduzindo um burgo medieval como seria na época. Ao final do evento estava destinado à demoliçao, mas foi mantido e tornou-se museu em 1942.

Piazza Castello e Palazzo Madama.

Borgo medievale del Valentino.

Entre os mercados fixos e itinerantes de Torino, o mais importante é o de Porta Palazzo: encontra-se na Piazza della Repubblica (com 51.300 m2) e é considerada a maior feira a céu aberto da Europa, contando com mais de 1000 barracas e um fluxo de aproximadamente 100.000 pessoas! Ainda falando de cultura, Torino possui varias universidades estatais, sendo duas as principais: a Università degli Studi di Torino (aonde eu estudo) e o Politecnico. Das menores podemos citar a Accademia Albertina di Belle Arti, entre outras.

Feira de Porta Palazzo.

Para terminar essa introduçao à Torino, importante citar uma das características visuais da cidade: os “porticos monumentais” construidos por toda a cidade – abrangem cerca 18km, sendo 12km interligados. Construidos por ordem de Carlo Emanuele I em 1606, inicialmente faziam parte do progeto arquitetonico da Piazza Castello e logo apòs se extenderam por varias outras areas da cidade. Os porticos foram construidos para permitir o transito de pessoas (especialmente da familia real) pelas praças e ruas importantes da cidade, (mais especificamente a Piazza Castello e via Po’, que terminavam na beira-rio) de modo que ninguem se molhasse com a chuva ou com a neve.

Porticos.

Torino é uma grande cidade, com muita historia e muita coisa a ser visitada e conhecida; eu espero aqui conseguir mostrar um pouco dessa riqueza para vocês e quem sabe animá-los a incluir a cidade num roteiro de viagens passando pela Itália. Justamente o fato de não estar entre as cidades mais famosas italianas em termos de turismo internacional, a cidade é ideal para ser visitada para quem não gosta de caos, ruas cheias e longas filas nos pontos turísticos. É uma charmosa cidade metropolitana que vale a pena ser conhecida. 

11 respostas em “Cidades: Torino, Introdução.

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  4. Adorei ler tudo isso e sou fã dos Savoia pelo planejamento da cidade! hahah Mas me lembrou um fato que aconteceu aqui em Cutiriba, ela também foi planejada em quadras retas e ruas largas, sendo famosa desde cedo por isso. Possui também poucos morros e é em sua maioria plana.
    Achei super interessante o planejamento dos portais, além de lindos, hoje devem ser muito úteis à população em geral, né!

    Mais vontade ainda de ir logo para aí! ;)

  5. Interessante conhecer cidades mais planejada, raras aqui no Brasil. Um filme que talvez mostre alguns ambientes da cidade é “Dias de Nietzsche em Turim” vou tentar ver. Gosto mais dos posts relatando a vivencia com a cidade, mas gostei também do histórico.

    • E Torino tambem é uma das raras cidades planejadas na Italia! Tambem ja me falaram desse filme, mas ainda nao o encontrei para assistir… se voce achar e gostar, me avisa; eu tambem quero ver assim que possivel! :D

  6. Curti muito o post, gosto de conhecer o histórico de cidades! Se um dia eu for na Italia – o que tenho muita vontade – irei incluir Torino no roteiro! =)

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