Valle d’Aosta: passeios, castelos e montanhas!

Fim de ano o tempo sempre fica mais curto e apertado, e não esta sendo diferente aqui (e o blog com certeza sentiu efeitos colaterais disso, e peço desculpas por ter sumido por uns dias!). Mas eu consegui tirar um tempinho para escrever do ultimo passeio que fiz aqui dentro da Itália para a região do Valle d’Aosta – pouco conhecida e pequena, mas cheia de descobertas e pontos interessantes -, e quero compartilhar um pouco da viagem com vocês.

Eu, coberta de roupas, em La Palud!

Eu, coberta de roupas, em La Palud!

O Vale de Aosta fica a noroeste do país e é uma região italiana autônoma, com estatuto próprio e características próprias (como ter duas línguas oficiais: italiano e francês). Possui somente 126 mil habitantes e a sua capital é Aosta. É a menor região italiana e se localiza entre os Alpes, cercada pelas maiores montanhas da Itália e Europa (Monte Branco, Cervino, Monte Rosa e o Maciço do Grande Paraíso). Todo o território é muito montanhoso e irregular; o clima é chamado de ‘alpino‘ durante o inverno e ‘fresco‘ durante o verão – o que significa que o inverno é muitíssimo frio (na capital as temperaturas podem chegar a -10°c) e o verão frio e com muitos ventos -, tudo influenciado pelas montanhas, pela estrutura da região e pelas geleiras perenes das montanhas.

Montanhas e sol do meio-dia em Courmayeur.

Montanhas e sol do meio-dia em Courmayeur.

Neve, muita neve...

Neve, muita neve…

Um pouco de historia: “No século I a.C., o vale atraiu os romanos por sua localização estratégica entre a Gália e a Germânia. Após vencerem os salassi locais, os romanos fundaram  Augusta Praetoria (atual Aosta). Na cidade de Aosta, foi encontrada a maior quantidade de artefatos romanos depois de Roma e Pompeia, o que lhe rendeu o título de “Roma dos Alpes“. Depois de lutas e ataques insistentes ao longo de séculos por parte de diversos povos, dos godos aos bizantinos, finalmente, foram os francos que se instalaram no vale em 575 d.C., o que explica a influência gaulesa predominante na região. A partir doséculo XI, destacou-se a casa de Saboia, que tomou posse política e administrativa até a Revolução Francesa. No século XV, Aosta tornou-se um ducado com governo e assembleia próprias. Em 1800, Napoleão Bonaparte atravessou o colo do Grande São Bernardo com seu exército e, com a constituição do Reino de Itália em 1860, a autonomia foi sendo várias vezes proposta. Em 1927, a província de Vale de Aosta foi estabelecida como centro da área de Turim e Ivrea. Em 1948, o Vale de Aosta adquiriu o estatuto de Região Autônoma”.

.

A região é famosa e conhecida em toda Europa pelo seu turismo esportivo e de luxo: estações de esqui durante o inverno e alpinismo em quase todo o ano. Não é um lugar barato de se viver (principalmente considerando-se as dificuldades e o estilo de vida necessários) ou passear – se o seu objetivo for praticar esportes de inverno -, mas com criatividade e vontade é possível montar passeios muito agradáveis e interessantes. Por causa de todas essas características geográficas e econômicas citadas, o melhor jeito de conhecer a região por inteiro e montar um roteiro de viagem um pouco menos focado nas estações de esqui é viajar de carro (próprio ou alugado): os pontos de interesse ficam relativamente distantes uns dos outros e para atravessar vales, tuneis e montanhas esse definitivamente é o melhor jeito. Quem tem como objetivo ir para uma estação de esqui para passar uma temporada também pode fazê-lo confortavelmente de trem.

E mais neve...

E mais neve…

Dessa vez o nosso objetivo não era esse, mas sim visitar alguns lugares e cidades da região e ter uma visão geral da rota e das paisagens, então fomos de carro e gastamos somente um dia – a região do Vale de Aosta fica exatamente ao norte da região Piemonte (onde moro), por isso um passeio rápido de um dia feito de carro seria ideal, principalmente se feito pelas autoestradas que economizam muito tempo de deslocamento. Você pode acompanhar o nosso trajeto acessando o mapa personalizado do blog, fique a vontade!

Em La Palud!

Em La Palud!

A ideia era partir cedo de manha, pegar a autoestrada e dirigir até o ponto mais ao norte da região, quase na fronteira com a França, e depois ir ‘descendo’ por estradas estatais normais, apreciando a paisagem e parando nos lugares que fossem interessantes. O primeiro lugar que visitamos foi o lugarejo de La Palud, que pertence a cidade de Courmayeur. O nosso objetivo la era muito simples: apreciar a paisagem alpina nevada a partir de um vilarejo tipico de montanha e tivemos a agradável surpresa de pegar neve caindo nos minutos que passamos la (cerca meia-hora) para completar o clima natalino do lugar – imperdível! Depois descemos até a cidade de Courmayeur, também muito tipica e charmosa, e paramos para entrar num café e espantar um pouco o frio com cafés e crepes! Um pequeno passeio pelo centro, pela praça e na frente da igreja para ver a decoração natalina e observar as montanhas ao redor e já estávamos prontos – tudo feito em menos de 2 horas.

Em Courmayeur.

Em Courmayeur.

Antiguidades em Courmayeur.

Antiguidades em Courmayeur.

Café aconchegante!

Café aconchegante!

Pegamos a estrada de novo e partimos em direção à capital Aosta, uma cidade levemente maior mas ainda pequena e regional, se comparada à outras capitais italianas. Novamente um pouco de passeio pelas ruas da cidade até chegarmos nas ruínas romanas que tem por la: a Porta Pretoria, o Teatro romano e outros edifícios de menor importância. Se você curte historia, prédios antigos e paisagens de tirar o folego, vale muito a pena! Alem da arquitetura romana, a neve e as montanhas ao fundo completavam o visual.

Teatro romano em Aosta.

Teatro romano em Aosta.

Teatro romano.

Teatro romano.

Teatro romano.

Teatro romano.

Teatro romano.

Teatro romano.

Os dias no inverno daqui são muito curtos, então não podíamos ficar muito tempo alem do necessário em cada local; depois de fotos corremos para ainda pegar a luz do sol no próximo ponto do passeio, e fomos dirigindo até o Castello de La fenis. Belíssimo por fora, mas não chegamos a tempo de conseguir entrar para uma visita; ainda estava aberto, mas perdemos por minutos o horário da ultima visita do dia, então aproveitamos para tirar fotos e deixamos a visita do castelo para uma outra oportunidade. O sol então foi embora, o vale ficou escuro e o frio aumentou bastante, mas ainda tínhamos o ultimo ponto do passeio para terminar: o Forte di Bard.

Em La Fenis.

Em La Fenis.

La Fenis.

La Fenis.

Chegamos la já de noite e novamente o lugar já estava fechado (horários de inverno, justamente por causa do frio, são menores que os de verão, até para as atividades turísticas), mas já havíamos visitado em outra ocasião meses atras. O forte esta localizado em um ponto estratégico do vale, proporcionando uma defesa fantástica contra quem tentasse entrar na Itália pelos vales dos Alpes – principalmente povos vindos da França e norte da Europa em diversas ocasiões. As primeiras fortificações datam da Idade Média e muita historia rolou durante séculos, até a memorável resistência do exercito sabaudo de Vittorio Amedeo II de Savoia contra as tropas francesas em 1704; mas o grande feito histórico do forte foi em 1800, quando teve que resistir contra um ataque de 40.000 homens de Napoleão, que depois de atravessar os Alpes queriam entrar na planície italiana e surpreender a tropa austro-piemontesa de 400 homens na fortaleza. O assedio durou dias com ataques e bombardamentos de canhão, mas o forte aguentou, frustrando os planos de Napoleão de invadir a Itália e o vale do rio Po’ (ao sul da fortaleza, na região do Piemonte). O general francês nomeou o forte “vilain castel du Bard” e deu uma ordem pessoal de derrubar e destruir completamente o forte. Desde então a fortaleza foi reconstruída e aumentada algumas vezes, até que perdeu seu valor bélico no século XX; em 1980, já pertencendo à região autônoma de Vale de Aosta, foi reformado para se tornar um museu histórico. Com certeza é outro ponto muito recomendado para uma visita! (Mais informaçoes voce encontra no site oficial do museu).

De cima do forte, vista para o vale e o borgo de Bard.

De cima do forte, vista para o vale e o borgo de Bard.

Maquete da fortaleza - foto com baixa qualidade porque as luzes do museu sao feitas de proposito para atrapalhar as fotos dos turistas...

Maquete da fortaleza – foto com baixa qualidade porque as luzes do museu sao feitas de proposito para atrapalhar as fotos dos turistas…

E o nosso passeio terminou com uma rápida visita ao Borgo de Bard, charmoso, pequeno e todo decorado para o Natal; tao rustico que é impossível não se sentir caminhando por ruas medievais e cheias de historia… Feita toda essa estrada, já estávamos praticamente nos limites da região do Vale d’Aosta e já era final do dia. Ainda não conhecemos todos os castelos, fortes e pontos turísticos interessantes da região, mas já foi possível ter uma boa ideia em um dia de viagem – com outros dois dias, talvez, seja possível visitar tudo. É um passeio muito agradável e interessante, principalmente se você gostar do estilo de viagem e do que a região tem para oferecer; eu com certeza recomendo muito!

Borgo de Bard.

Borgo de Bard.

5 respostas em “Valle d’Aosta: passeios, castelos e montanhas!

  1. Cara Clarisse Benedet,
    Parabéns pelo relato de seu passeio pelo Vale do Aosta, de forma precisa direta e com belas fotos. Estarei indo com minha família para o Norte da Itália em janeiro e este vale está em meus planos para visitar na forma do modelo que escreveu, ou seja, em um dia. Entretanto, pela pouca experiência em dirigir em tempos extremos (neve e gelo), a minha ideia era ver a possibilidade de uma excursão de um dia. Você por acaso sabe de alguma empresa que tenha em seus pacotes de excursão um passeio ao Vale por um dia, de preferência saindo de Turim?
    Agradeço desde já.

  2. Estive no Vale, este ano 2013 em junho, início do verão, chovia um pouco, a temperatura era boa, mas gostaria de ir no inverno pra ver novamente esta cidadezinha linda coberta de neve. Lindas fotos.

  3. nossa muito linda a sua viagem, gostaria de saber qual o gasto para uma viagem dessa, se todos os castelos tem de pagar entrada, e se dá para fazer todos os trajetos a pé??

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s